Alguém se lembra do Ferrorama da Estrela, brinquedo que aparecia muito nas prateleiras das lojas de brinquedos na década de 80? Sabia que é possível comprá-lo ainda na mão de saudosistas e de colecionadores?
Pois bem, em Vitória ao invés de comprarmos novos trens para o futuro estamos regredindo ao passado dos bondes, onde os trilhos matavam. A diferença é o tamanho da população e da cidade.
O projeto do trem de superfície (ou Ferrorama) publicado num jornal do Estado, mostra claramente que o Prefeito Coser e a grande maioria dos políticos e pensadores da cidade, ainda não entenderam que não podemos mais saturar as atuais vias da cidade.
Explico: no esboço do projeto (que mais parece uma “barrigada” do problema para as gerações futuras) aparece um trem chamado vangloriosamente de “metrô de superfície”, ocupando a terceira via de rolagem de nossas principais avenidas. Ora, se queremos crescer, precisamos de solução. Ao invés de gastarmos milhões de reais com a implantação deste projeto, não seria mais viável determinarmos faixas exclusivas para ônibus? Pronto, ou quase. Afinal, ocupamos a terceira faixa do mesmo jeito.
Desafogar o trânsito em uma única forma de transporte tronco (ou quase) cortando Vitória é interessante do ponto de vista fluxo. Um trem, menos ônibus, um rodízio, menos carros e motos. Agora, se o trem estivesse aí hoje e fosse R$ 1,70, pra mim não adiantaria de nada. Adiantaria pra você?
Mas por que então não fazê-lo suspenso? E mais: com propulsão movida a energia solar? Custo? Ora, ficamos tantos anos para construir a terceira ponte, e ficou tudo na mão de um terceiro. Para o “Ferrorama”, criamos um consórcio e entregamos na mão de um terceiro para investir, construir e administrar durante 100 anos, não importa. Aliás, de acordo com a reportagem, é isso que o grupo francês veio fazer não foi?
Fora esses pontos e observações feitas acima, o “Ferrorama” ainda tem um problema: se em todas as cidades a tendência é retirar o trem de dentro delas, por que vamos trazer o “bonde” novamente para dentro de Vitória? E se um carro receber uma fechada e invadir a faixa do “Ferrorama”? Não vi no projeto nada que separe uma pista da outra, muito menos do pedestre.
E falando em pedestre isto me peocupa mais ainda: quantas mutilações e mortes vamos ter de bancar com o projeto?
Seria mais legal um “Ferrorama” suspenso e solar. Ficaríamos com cara de Disney e só estaria faltando o Pluto, o Donald e o Michey, pois o Pateta já está em Vitória: você contribuinte, que ouve estas histórias e tem medo de que virem realidade.
Frederico Gimenes